O índio "integrado" e "assimilado": a construção de estereótipos sobre os indígenas no Nordeste do Brasil

Autores

  • Flávio UFCG
  • Edson

DOI:

https://doi.org/10.53528/geoconexes.v2i1.42

Resumo

“Caboclos”, “índios misturados”, “remanescentes”, “assimilados”, “integrados” estes são algumas alcunhas acerca dos povos indígenas na Região Nordeste do Brasil. Este texto tem o objetivo de discutir os processos históricos vivenciados pelos indígenas na Região com a colonização em estreita vinculação entre a negação da identidade e os esbulhos dos territórios habitados pelos indígenas. Utilizamos o conceito de territorialização para compreender dois momentos históricos da “extinção” e o “ressurgimento” dos indígenas na Região, a partir de uma abordagem bibliográfica a respeito do tema. Assim, evidenciamos que imagens e discursos sobre a “mistura”, “cablocagem”, “integração”, “assimilação” afirmando a suposta extinção dos povos indígenas no Nordeste, foram artifícios para esbulho das terras. Porém, em todos os momentos ocorreram os protagonismos indígenas nas mobilizações acentuadamente a partir do início do século XX com a afirmação da identidade indígena junto ao SPI, simbolizada pelos Fulni-ô habitantes em Águas Belas/PE.

Biografia do Autor

Flávio, UFCG

Mestre em História e licenciado em História e bacharel em Filosofia

Edson

Doutor em História e professor de História.

Referências

ALBUQUERQUE, Manoel Maurício de; et tal. Atlas Histórico escolar. 8ª ed. revista e atualizada. Ministério da Educação e Cultura. Fundação Nacional de Material Escolar. Rio de Janeiro, 1998.

ARRUTI, José Maurício Andion. Morte e vida no Nordeste indígena: a emergência étnica como fenômeno histórico regional. Rio de Janeiro: Estudos Históricos, vol.8, n. 15, 1995, p. 57-94.

BEZERRA, Deisiane da Silva. Com os índios: Padre Alfredo Dâmaso, os Fulni-ô e as mobilizações indígenas no Nordeste. Maceió, AL: Editora Olyver, 2020.

CARDOSO, Alirio. Beschrijving van Maranhão: a Amazônia nos relatórios holandeses na época da Guerra de Flandres (1621-1644). Rio de Janeiro: Topoi, v.18, nº 35, p. 406-428, maio-ago. 2017.

CUNHA, Manuela Carneiro da. (Org.). História dos Índios no Brasil. São Paulo: Companhia das Letras, SMC/FAPESP, 1992.

CUNHA, Elba Monique Chagas da. O Diretório dos Índios como projeto de “civilização” portuguesa para os sertões pernambucanos. Revista Latino-Americana de História RLAH, vol. 3, nº12. São Leopoldo, p. 85-116, ago. 2014.

DANTAS, Beatriz G. et al. Os povos indígenas no Nordeste brasileiro: um esboço histórico. In: CUNHA, Manuela Carneiro da. (Org.). História dos índios no Brasil. São Paulo: Cia. das Letras, SMC/FAPESP, 1992, p. 431-456.

DANTAS, Mariana Albuquerque. Identidades indígenas no Nordeste. In: WITTMAN, Luísa Tombini. (Org.). Ensino (d)e história indígena. Belo Horizonte: Autêntica Editora, 2015, p. 81-116.

MEDEIROS, Ricardo Pinto. Política indigenista do período pombalino e seus reflexos nas capitanias do norte da América portuguesa. In: PACHECO DE OLIVEIRA, João Pacheco de. (Org.). A presença indígena no Nordeste: processo de territorialização, modos de reconhecimentos e regimes de memória. Rio de Janeiro: Contra Capa, 2011, p. 115-143.

MONTEIRO, John Manuel. Tupis, tapuias e historiadores: estudo de História Indígena e indigenismo. Tese (Livre Docência em História) – Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Campinas, 2001.

OLIVEIRA, João Pacheco de. O nascimento do Brasil e outros ensaios: “pacificação”, regime tutelar e formação de alteridades. Rio de Janeiro: Contra Capa, 2016.

OLIVEIRA, João Pacheco de; FREIRE, A presença indígena na formação do Brasil. Brasília: Ministério da Educação, Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade; LACED/Museu Nacional, 2006.

OLIVEIRA, João Pacheco de. Uma etnologia dos “índios misturados”? Situação colonial, territorialização e fluxos culturais. Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social - PPGAS-Museu Nacional, da Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ Área: Ciências Humanas Versão impressa ISSN: 0104-9313 Versão on-line ISSN: 1678-4944. Mana, Volume: 4, Número: 1, Publicado: 1998.

PERRONE-MOISÉS, Beatriz. Índios livres e índios escravos: os princípios da legislação indigenista do período colonial (séculos XVI a XVII). In: CUNHA, Manuela Carneiro da (Org.). História dos índios no Brasil. São Paulo: Cia. das Letras, / SMC/FAPESP, 1992, p. 115-132.

SILVA, Edson. Xukuru: memórias e história dos índios da Serra do Ororubá (Pesqueira/PE), 1950-1988. 2. ed. Recife, EDUFPE, 2017.

SILVA, Edson. História indígena em Pernambuco: para uma compreensão das mobilizações indígenas recentes a partir de leituras de fontes documentais do Século XIX. Revista do Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico Pernambucano, v. 64, 2011, p. 73-114.

SILVA, Edson. “Confundidos com a massa da população”: o esbulho das terras indígenas em Pernambuco no Século XIX. Revista do Arquivo Público Estadual de Pernambuco, v. 46, n.42, 1996, p. 17-29.

SOUZA LIMA, Antônio Carlos de. O governo dos índios sob a gestão do SPI. In: CUNHA, Manuela Carneiro da (Org.). História dos índios no Brasil. São Paulo: Cia. das Letras, SMC/SP: FAPESP, 1992, p. 155-172.

VALLE, Sarah Maranhão. O processo de destruição das aldeias na segunda metade do século XIX. In: PACHECO DE OLIVEIRA, João Pacheco de. (Org.). A presença indígena no Nordeste: processo de territorialização, modos de reconhecimentos e regimes de memória. Rio de Janeiro: Contra Capa, 2011, p. 295-325.

Downloads

Publicado

2021-11-26

Como Citar

BENITES, F. J., & Silva, E. H. . (2021). O índio "integrado" e "assimilado": a construção de estereótipos sobre os indígenas no Nordeste do Brasil. Geoconexões Online, 1(2). https://doi.org/10.53528/geoconexes.v2i1.42

Edição

Seção

Artigos